A FORMA TRANSFERÊNCIAL


-"Eu gosto dele porque é parecido com o meu pai"
-"Você já notou como o meu noivo se parece com o meu irmão mais velho?
-"Até o jeito de andar é o mesmo".
-"Não aguento mais a minha namorada;tem muita semelhança com a minha mãe, até nas manias!"
O que é transferência?
Muitas pessoas namoram e casam conscientemente, porque o seu parceito tem semelhança física ou moral com um parente próximo, geralmente com o pai ou a mãe. Na maioria das vezes, sentem simpatia e têm sentimentos de amor, sem terem nenhuma consciência dos motivos profundos da escolha; no entanto, a influência parental está presente.
A maioria das nossas simpatias e atrações amorosas tem como base fundamental o fenômeno da transferência de sentimentos mãe-filho e pai-filha. Na maioria das vezes, reproduz-se entre os parceiros o mesmo tipo de relações que existia com o parente de sexo oposto. O fenômeno da transferência existe nas nossas relações amorosas em geral.
Um filho recebe (ou não recebe) carinhos e mimos da mãe durante quase vinte anos da sua existência; da mesma forma uma filha tem diante de si o modelo masculino do pai durante tempo, às vezes até maior; ora, nos primeiros anos da existência a alma infantil é como uma fita de gravação: quem teve mãe extremamente carinhosa tentará, evidentemente, compensar a sua falta, quando adulto, procurando numa mulher o mesmo tipo de carinho; quem teve pai paciente e diplomata, procurará um marido com tais características. Mulher que teve pai enérgico e autoritário terá simpatia por homens decididos e dominadores. caso a prórpia mãe tenha sido submissa e obediente ao pai, a filha terá a tendência a imitar a mãe nas suas relações como o seu marido: dizem os psicanalistas que ela se estará "identificando"com a sua mãe, adotando ou introjetando o seu modo de reagir ao comportamenteo do homem.
Através da imitação e introjeção das opiniões, atitudes e comportamento dos nossos pais e demais educadores, formam-se as nossa personalidade e mais particularmente as nossas tendências preferenciais para determinados "tipos" de parceiros.
A tranferência consiste, como indica a palavra, em "transferir" para outra pessoa sentimentos que temos ou tivemos no passado em relação a pessoas da nossa família. Se, por exemplo, tivemos conflitos sérios com a autoriade paterna, teremos provavelmente tendência a entrar em conflito com outros tipos de autoridade: professores, chefes, regulamentos. Se a mulher tiver um marido autoritário dificilmente tolerará submeter-se às ordens do cônjuge.
A identificação consiste em imitar inconscientemente um ou outro dos nossos educadores, autoridade ou amigo. A identificação se faz, em geral, quando admiramos determinada pessoa, ou quando uma pessoa constitui um obstáculo para nós. Este último comportamento é muito frequente na criança, que quer ser igual aos pais, para ser tão poderosa quanto eles, o que explica, em grande parte, porque tantos filhos ou filhas tem o mesmo comportamento, as mesmas atitudes e gostos idênticos aos dos pais: introjetaram a maneira de ser dos pais ; na maioria das vezes o filho introjeta as opiniões, atitudes e comportamento do pai e a filha introjeta os valores e conduta da mãe; há também, na mesma criança, uma dosagem do pai e da mãe, ou mesmo uma inversão, que faz com que tenhamos mulheres com tendências masculinas e homens com tendências femininas.
A introjeção consiste, por conseguinte, em "trazer para dentro de si", em adortar e incorporar na própria pessoa as maneiras de ser e de pensar de outrem; podemos ter passado a adotar, por introjeção, até mesmo as preferências dos nosssos pais por determinado tipo de pareiro. Assim, por exemplo, um homem, além de introjetar, de passar a adotar o gosto do seu pai pelo futebol e pela pesca, preferirá o tipo de mulherees que, na opinião do pai, são as mais indicadas; além disso, por introjeção, poderá adotar as mesmas reaçoes que o seu pai teve em relação à sua mãe em determinada ocasião; se, por exemplo, ele viu o pai zangar-se toda vez que a mãe tentava fumar, terá ele também tendência a zangar-se com a sua paceira em oportunidade idêntica, sem se lembrar do porque desse comportamento.
A projeção consiste em atribuir a outra pessoa uma imagem que temos dentro de nós, imagem que introjetamos no passado. Quando emprestamos a outrem sentimentos, opiniões, atitudes, sem que tenhamos provas evidentes da sua realidade, estamos projetando na outra pessoa aquilo que, de fato, está em nós. Se introjetamos, por exemplo, a imagem da nossa mãe como modelo de esposa, teremos uma tendência a pensar que determinada moça com alguns traços físicos semelhates aos da nossa mãe terá também todos os gostos e comportaments de que gostávamos ou que o nossso pai gostava na pessoa da nossa mãe; através da "projeção" para ela os sentimentos que tínhamos para com a nossa mãe.
Como você já deve ter adivinhado, se, porventura, a moça realmente tiver os traços de personalidade que o rapaz nela projetada, haverá, por parte dele, uma consolidação dos laços afetivos. Se, pelo contrário, a semelhança for apenas física, a decepção será grande e haverá tendência ao rompimento das relações amorosas.
Pense nisso, é apenas um toque no seu coração.
Autor desconhecido.